terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Pot pourri de mim
07:35 | Postado por
Elen Gruber
Talvez seja um pouco ofensivo, mas imagino que seja pena. Dó. Dó de mim. Não pelos meus exageros. Acho que pelas motivações. Pela imagem pintada. Pela falsa esperança, ela que sempre acaba no dia seguinte quando abro os olhos. Pena de mim, pelo que posso vir a ser. Do que sou, mas não sou. Do que prefiro esconder.
Não me arrependo do que faço. Não censuro minha vida, minhas expressões. Só me preocupo com o outro. Ele que pode ser afetado pelos meus atos. Ele que nunca entenderá minhas razões. É normal que eu pense que poderia ter feito diferente, pois não pensava que seria assim, não esperava isso pra mim. A vida me conta histórias, mas essa parte não é minha. Não deveria.
Só eu sei que escondo minha fraqueza, meu esgotamento por detrás das letras. Mas quem se interessaria por estes meus assuntos? Quem agüentaria o mesmo assunto? Sempre? Quem conheceria a origem desta minha síndrome?
Todo mundo tem sua sombra e isso é natural. Limitar-se a sombra dos outros seria um erro. Construir o exterior e o interior de pessoas por suas sombras seria um engano, pois a sombra é somente um índice de uma idéia. Ela até pode significar algo, mas nunca será idêntica, não é pensamento não é emoção... É sombra. A minha, eu não consigo ver, mas sei que sempre me acompanha e só os outros a observam. Já minhas percepções são impenetráveis. São elas que dirigem meus juízos e eu não os revelaria a ninguém. Não correria o risco de mostrar minhas pisadas em falso. Porque sei que as aparências enganam.
O mundo é cheio de imagens e conservo em minha memória cópias de coisas desse mundo exterior. Não sei se essas imagens são verdadeiras, ou apenas falsas percepções, assim como lá fora ninguém sabe se minha imagem é real ou uma mentira. Porém eu tenho lutado contra isso. Contra estes pensamentos fúteis, mas quando olho para mim, não vejo o que gostaria. Não era isso que eu queria. E não sabia que seria assim tão difícil. É essa dificuldade que salta aos meus olhos todos os dias e que não pode ser evitada. Por isso a pena e dó. Dó de mim.
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