terça-feira, 21 de julho de 2009

Coisa estranha

E quem foi que disse que acabou? É o mesmo par de lágrimas de antes. O espelho não mente, meus olhos ainda estão tristes. Eu sei. Hoje senti na minha boca um gosto azedo de refluxo. E agora, um cheiro de comida velha, requentada... Acho que é da panela que está no fogo um tempão. Vai ver, já até queimou. To nem aí! Esvaziei meu estoque de energia e não arredo o pé daqui. Deixo tudo pra lá. O que eu faço? Nada. Eu deveria mudar meu destino? Minha sorte? Apenas lavo o rosto que é pra ver se a pele fica rubra, só pra dar uma enganada. É isso, engano-me e a mim mesma. Levo minha vida feito um cubo mágico. Sigo as equações sem saber se vai dar certo. Vou andando sem olhar para trás. Nem sei que horas são. É tarde. O sono não vem... Quanto tempo já passou? Doze minutos, doze horas, doze meses, um ano? E eu sei? Fui tragada pela inconsciência e perdi a noção das coisas. São os encontros e desencontros do aglomerado de significações temporais de minha existência, da totalidade de mim para mim e nada mais.


Tudo ao meu redor muda o tempo inteiro. As unhas e os pêlos crescem e as rugas aparecem. Os dias passam e eu continuo assim. Nada aconteceu. Mas quem se importa?
Todos os meus planos escorregaram de minhas mãos. Tudo bem, os calos me fazem suportar mais. E isso não é autoflagelação. É que a dor é lenta e contínua. Não realizar os sonhos e todos os desejos da vida dói, sabia? Mas aí, você toma uma dose de morfina*, que é pra dor passar.
E quem foi que disse que acabou? Eu coloco tudo isso dentro da mochila que carrego nas costas e pronto. E nem é tão pesado assim. Também não digo que é bom nem ruim. É médio. Coisa estranha. Mas quem disse que acabou? Em cada minuto, um novo dia. Em cada dia uma nova vida e uma nova maneira de ser. Hoje é só uma parte da vida que se manifesta para mim em pensamento. E agora, já não é mais o mesmo instante anterior. Agora é agora, e agora está sendo difícil esperar para saber o agora de amanhã. Eu sei, é difícil esperar, mas não, não acabou. O pulso ainda pulsa, a vida continua.

*não uso drogas.

6 comentários:

Monteiro disse...

É o estadio de solidão......nao temos ninguem...não somos ninguem, apenas sabemos que existimos sofrendo....sofrendo....esperando angustiamente o fim do sofrimento!

Marília disse...

é real? é ficcional? tomara que, ao menos, seja passageiro. ; D

João Batista disse...

Waw... It's very dark, little girl!

Lembra minha época existencialista.

Let's sunshine enter in you.

jito disse...

poxa, elinhaa..

sofri com essa leitura. Até começou a chover aqui em jacareí.

Fiquei pensando..

esses momentos ruins, são passageiros?
ou na verdade os momentos bons são passageiros, e o que sobra é dor, solidão, sofrimento?

"tristeza não tem fim. Felicidade sim"

será? Tomara que o Vinícios de Morais esteja errado, né?

Elen Gruber disse...

E eu que sei!? rs Parece que cada dia que passa eu sei menos sobre essas coisas da vida.
às vezes parece que tudo é um grande mistério como filme encantado. Acho que prefiro pensar que sempre vai existir um final feliz para os que buscam felicidade com o bem.

Pensando bem... sei lá!

jito disse...

os que procuram a felicidade com o bem?
pode ser!
é que eu tenho a impressão de que os que "buscam a felicidade com o bem" vão encontrá-la de qualquer forma, afinal, eles ficarão felizes ao fazer o bem, haha

mesmo que sejam recompensados com o mal, ficaram felizes!

talvez seja mesmo, melhor, viver pensando assim, né?
no fim, é tudo uma questão de escolha

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