domingo, 1 de março de 2009
Será que hoje vai chover?
16:26 | Postado por
Elen Gruber
Em São Paulo é assim, a gente nunca sabe quando vai chover. Aqui não tem esse negócio de primavera, verão, outono e inverno... Em um único dia você pode experimentar todas as estações do ano. Como diria um amigo: - É fantástico! Com esse tempo imprevisível, você precisa se utilizar de algum meio inteligente de prevenção.
Eu sempre conferia a previsão do tempo antes de sair de casa. Tinha de ter certeza de que não erraria na escolha da roupa. Assim, me protegia de qualquer surpresa no clima durante o dia. No entanto, isso só piorava ainda mais a minha situação. Ficava um tanto confusa com a notícia: mínina de 10°, máxima de 30° e 50% de probabilidade de chuva. O João, meu guarda-chuva, sempre estava comigo. Carregava ele por todos os lugares por onde eu andava: no shopping, no trabalho, na fazenda ou na casinha de sapê.
Bom, aparentemente até aí estava tudo perfeito. Só tinha um problema, o João era muito grande. Saía toda destrambelhada pela rua com esse troço. No ônibus então, era um fiasco. Toda vez que passava o meu super “bilhete do infinito” na catraca, João acabava cutucando alguém. Não tinha coordenação motora ou super habilidades especiais para numa mão segurar um bilhete e na outra um grande guarda-chuva, uma bolsa e uma sacola (sim, porque todas as mulheres carregam sacolas). Nessa confusão sempre sobrava para minha mãe. Coitada, ela não tinha nada a ver com isso, mas as pessoas queriam ofendê-la de qualquer jeito. Culpa do João. Todos os dias era uma história diferente. Certa vez, no cinema, deixei o João ao meu lado, assim... meio atravessado. Não me liguei que ele estava atrapalhando a passagem das pessoas e uma mulher tropeçou nele e quase deu de cara no chão!
Até que em um determinado dia ensolarado de São Paulo, decidi deixar João em casa. Não queria mais saber dele. Estava cansada de suas travessuras. Quis dar um basta em nossa relação! Pensei melhor e resolvi dar tempo para ele refletir sobre seus atos no canto da sala de casa. “Quem sabe assim ele se torna um guarda-chuva melhor?”
Bem naquela tarde caiu um temporal daqueles! Enquanto tomava um banho de chuva de volta para casa, pensava muitas vezes em João, mas tinha tomado a minha decisão. Tinha que ser firme!
Quase todos os dias eu tomava banho de chuva. Ficava muito brava. Corria pra caramba para não me molhar, mas sempre chegava em casa toda molhada e bufando! Até que semana passada aconteceu algo incrível. Enquanto eu corria para não pegar chuva, resolvi parar. Parei por uns instantes e senti os pingos caírem no meu rosto. Senti uma felicidade tremenda. Algo inexplicável. Fiquei meio que em transe, boba, hipnotizada... Sei lá. Continuei o caminho de volta para casa andando, não mais correndo. Andando com passos lentos e sentindo o prazer da chuva. Dava gargalhadas de felicidade no meio da rua.
Depois daquele dia, nunca mais conferi a previsão do tempo, já que ele era imprevisível mesmo. A minha separação com João foi muito triste, mas nunca teria experimentado o prazer de tomar chuva se não fosse por isso. Tive uma experiência incrível, ou como diria um amigo: “ Fantástica!”. Por falar nisso, será que hoje vai chover?
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3 comentários:
nossa elen!!!!!!!!!!! muito bom, nao sabia dessa tua habilidade de escrever , parabens. Sorri muito ao ler este texto,muito bom mesmo,fico feliz, me surpreendeu
bom, eu não me surpreendi, haha
gostei, elinha.
só fiquei curioso: esse João é aquele que ficou no meu carro por algumas semanas? haha
quanto a sua última pergunta.. sim, vai chover sim. Mas não se preocupe.
"depois da chuva vem o sol", hahahaha
(péssima)
.jito.
Elen. Muito bom. E dá margem pra interpretações interessantes e profundas.
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