terça-feira, 10 de março de 2009

Meu ecossistema


No início do casamento, muitas coisas engraçadas acontecem. Principalmente quando os dois trabalham e não tem tempo para as tarefas de casa. A geladeira, por exemplo, vira um depósito de lixo. O requeijão sempre estraga e o pão, na maioria das vezes, acaba embolorando. Coisas que antes eram disputadas a tapas com a minha família, hoje se multiplicam, nascem, crescem, se reproduzem e morrem dentro da geladeira. É incrível!

Outro dia fizemos um almoço super especial para os amigos. Salmão grelhado. Após a refeição guardamos a fôrma com os restos de comida dentro do fogão, só para dar uma ajeitadinha na bagunça. Acontece que esquecemos o raio do salmão lá. Imaginem como não ficou aquilo depois de uma semana? Quando abri a porta do forno, quase fui tragada por uma família Salmonidae. Foram necessários vários equipamentos: luvas, máscara, diabo verde ou qualquer outra coisa que pudesse matar aqueles bichinhos nojentos! Isso nunca tinha acontecido comigo.

Ontem cheguei em casa morrendo de fome. Entrei na cozinha e lembrei: “puts, esqueci de fazer as compras!” Era tarde demais. O supermercado já estava fechado. Então, comecei minha caçada por comida. Abri todos os armários e nada. Encontrei uns biscoitos vencidos e umas torradas murchas no cantinho de um dos armários. A fome era tanta que eu pensei: “vai isso mesmo”. Abri o pote de requeijão. Estragado. Respirei fundo. Tinha que me concentrar para não dar um pirepaque. Abri a geladeira na esperança de encontrar alguma coisa para beber. Nada. Encontrei apenas duas garrafas de vinho e uma de licor de menta. Pensei, pensei... “não, hoje não”. Isto não era motivo de beber, rodar, cair, entregar os pontos. Não.
- E agora, quem poderá me salvar?

De repente tive um estalo. Lembrei das bruacas da minha mãe. Isso mesmo, Bruacas. Não conhece? Explico: é uma mistura de farinha de trigo com água e açúcar. Você junta tudo num refratário até formar uma gororoba. Feito isso, monte uns bolinhos e frite na frigideira.
Pronto! Meu problema estava resolvido. Então, abri o pacote da farinha e fiquei muito irritada. Encontrei centenas de bichinhos vivendo lá dentro, clandestinamente, como se tudo fosse normal e ainda comendo da minha farinha! Achei isso um absurdo!
Olhei para as torradas e alucinando de fome ouvi elas me chamarem: “coma torradas... coma torradas... Sua fome merece torradas.”
As torradas me salvaram.
Na manhã do dia seguinte, hoje, acordei com mais fome ainda. Parecia que meu estomago estava grudado ou que ia sair pelo outro lado.
Abri a geladeira. Nada. Saí de casa de estômago vazio.
Cheguei no trabalho e perguntei:
- Meninas, vocês tem alguma coisa para eu comer? Estou morrendo de fome.
Adriana olhou para mim e disse:
- Bom, eu tenho uma torradas aqui na minha gaveta. Só tem um problema, elas estão um pouco murchas, mas não tem bicho. Quer?
Elen Braga Gruber

7 comentários:

deuza disse...

Entao foi bom, emagreceu um pouco. De vez enquando é bom fazer um regime desses, mesmo que seja forçado.

Marcus Vinicius disse...

Muito bacana e criativo viu? legal gostei das fotos

Daiane disse...

Adoreii Elen.. Vc tem uma mente muito fértil.. rsrs

beijos

jito disse...

hahaha.. sua mae te chamou de gorda na cara larga, haha

gostei muito desse, elinha! Acho que é esse o seu estilo. Escrever sobre cotidiano, de uma forma gostosa, leve e direta!

"este é o caminho.. andai por ele"


hahhahaa

bjoos!

MEYRE disse...

Wowwwwwwwwwwwwww

Cada dia me impressiono mais com os talentos que vc tem aperfeicoado.
Te admiro demais por ser essa menina doce, sincera, disposta, talentosa, cativante, generosa... etc etc etc.
Estou lendo os seus textos e me sinto tao orgulhosa de vc q nao tem ideia...
te amooooooo

Anônimo disse...

Elinha... to me divertindo com seu blog... vou passar por aqui mto...

bjo

Débora

Anônimo disse...

Thanks :)
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