domingo, 21 de dezembro de 2008

O Som do dia de Hoje

- Prim! Prom! - o relógio despertou. Tentei dormir mais um pouquinho, mas não “deu”. Atrás do prédio que eu moro está sendo construído outro prédio que fica ao lado de mais centenas e centenas de prédios da região. O barulho começou cedo: - Peummmm! Peummm! Toc, toc, toc, toc!. Levantei da cama e fui direto ao banheiro fazer xixi: - Chii... Chiii. Ahhh! - que alívio! Depois de feitas as minhas necessidades fisiológicas, liguei o chuveiro e tomei banho: - Chuá! Chuá! Preparei apenas uma vitamina super nutritiva para aquela manhã. - Glub! Glub! Glub! blub! – pronto tomei tudinho.Terminei de me arrumar e fui ao trabalho.
O termômetro marcava 33 graus. Os ruídos dos carros, a liberação de agentes contaminantes misturados ao calor e o suor que escorria nas minhas pernas inclinavam a uma única certeza: o estresse iminente.A bossa que eu ouvia não favorecia nada. Por mais que aumentasse o volume do ipod ou tentasse me concentrar na melodia da música, o barulho do motor do ônibus era mais alto.
“Cala boca!” era minha vontade de dizer para a tagarela que estava sentada ao meu lado. Ela estava falando com alguém pelo celular. Talvez fosse o seu namorado, pelo jeito estranho de falar: - “Ahhh!” “Mmm! huuum!” “ai que gostoso!”.Ela não se importava que todas as pessoas estivessem ouvindo sua conversa. Às vezes não consigo entender a razão pela qual as pessoas conseguem falar tanto tempo pelo celular. Primeiro porque é caro e depois... Sei lá, é estranho.

Desisti de ouvir bossa e mudei para Rock’n Roll. - Agora sim! Parecia que estava tudo no ritmo:- Ram-Raaaammmm-Raaaaaaaaammmmm!!! – soava a guitarra. - Vrom! brum! Vrom! –arrancava o ônibus e o meu corpo balançava. - Fonfom! - buzinava um carro enquanto o outro freava: - Screeech! iééé!
De repente parou um homem ao meu lado. Ele estava com o nariz escorrendo e ficava fungando o tempo inteiro. - Rcrunc, Rrcunc. - o catarro descia e subia cada vez que ele fungava. Que nojo!
Depois de muito tempo nesta agonia, finalmente iria descer no próximo ponto e então apertei o botão de parada: – Biiii! Esperei o ônibus parar para eu descer, mas ele não parou! Fiquei desesperada e gritei: - VAI DESCEEEEER MOTORISTA – ele parou e eu desci. – Ufa.
Cheguei na empresa cansada e suada.
- Bom dia! - disse a todas da área.
- Bom dia - responde Adriana.
- Bom dia – responde Maria.
- Bom dia - responde Paula.
- E aê! – responde Beatriz.
Tive uns poucos minutos de paz até que todas as meninas começassem a falar juntas. Não conseguia me concentrar no meu trabalho! Quanto bla, bla, bla!
- Elen, como você está chata, nem fala com a gente! – disse Adriana.
- É mesmo. – todas concordaram.
- Meninas, desculpem estou apenas concentrada! –respondi.
Nas horas de “saco cheio” essa era a minha melhor desculpa.
Após oito horas de trabalho, fui embora. Enfrentei tudo novamente: a poluição, o barulho dos carros, as pessoas fedidas e tagarelas no ônibus...
Blim, Blom! – toquei a campainha do apartamento. Meu marido abriu a porta e meu deu aquele beijo: - Smack!
- Que bom que você chegou! Como foi seu dia hoje? - Perguntou ele todo radiante.
- Hoje foi dureza, mas nada como chegar em casa e ouvir o som da tua voz (nossa que romântico).
Bom, hoje meu dia foi assim.

Elen Braga Gruber

2 comentários:

jito disse...

clap clap clap..

Ahh.. o Renan mandou dizer que isso é uma ornomatopéia, haha

jito disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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